terça-feira, 28 de junho de 2011

O uso racional de creme dental na infância

Como devo realizar a higiene bucal do meu filho?
O modo de higienização bucal dependerá da idade do seu filho. No recém-nascido, a limpeza deve ser realizada com uma gaze ou fralda embebida de água filtrada, a fim de remover os resíduos do leite. Com o surgimento dos primeiros dentes, deve-se utilizar uma escova dental infantil sem creme dental ou pasta dental sem flúor.
Qual o creme dental que se deve usar?
A pasta de dente com flúor (vide na embalagem do produto) só poderá ser utilizada quando a criança souber cuspir completamente o seu excesso, ou seja, por volta dos três ou quatro anos de idade. Antes disso, só a pasta sem flúor.
Qual a quantidade de pasta que deve ser colocada na escova?
Embora, hoje, na mídia, a publicidade dos cremes dentais orientem, erroneamente, o modo de colocação da pasta no sentido logitudinal (escova amarela), o ideal é o uso da técnica transversal, ou seja, a quantidade de um grão de ervilha (escova rosa). Além disso, recomenda-se manter as pastas fora do alcance das crianças e a supervisão dos responsáveis durante a escovação dos filhos, pois as pastas comercializadas, atualmente, contêm sabores atrativos às crianças, estimulando a sua ingestão.
Qual a ação do flúor nos dentes?
O flúor é utilizado como agente terapêutico na prevenção da cárie dentária; graças ao seu uso, houve um declínio na prevalência da doença cárie. Porém, com a ingestão de flúor em excesso, vem-se aumentando, significativamente, a fluorose.
O que é a fluorose? Como ela se manifesta?
A fluorose dentária é um defeito qualitativo do esmalte dental, devido ao aumento da ingestão de flúor durante a fase de formação dos dentes. Com a ampla distribuição e consumo de flúor, através de várias fontes, como água, sal, sucos, refrigerantes, cereais matinais, salgadinhos, vitaminas e medicamentos com flúor, pasta dental, bochechos e aplicação tópica de flúor, surge também a grande preocupação da alta ingestão de concentração de flúor, durante a formação dos dentes, o que acarreta a fluorose. Esta pode se manifestar desde seu grau mais leve, em linhas ou manchas brancas até um grau mais avançado, em que ocorrem manchas amarronzadas e a perda de porções de esmalte dental.
Que tipo de flúor o meu filho deve utilizar?
O cirurgião-dentista analisará criteriosa e individualmente as fontes de ingestão de flúor e o risco da doença cárie, podendo, assim, orientar ao responsável o método mais seguro e racional do flúor para a prevenção da cárie e da fluorose dentária.


Técnica longitudinal (escova amarela). Técnica transversal (escova rosa).


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Hipersensibilidade Dentinária


O que é hipersensibilidade (hiperestesia) dentinária?
É a dor que ocorre, geralmente na região do colo do dente, próxima à gengiva, provocada pela escovação, ingestão de alimentos frios, doces, frutas cítricas etc. A dor cessa assim que o estímulo é removido, é de curta duração, tendendo a desaparecer com a mesma rapidez com que se inicia. Assim, a hipersensibilidade nunca começa espontaneamente como acontece comumente com outras causas de dor nos dentes. Entretanto, a distinção entre hipersensibilidade e dor de dente deve ser feita pelo dentista.
A hipersensibilidade significa que a polpa dental (o “nervo” do dente) está doente?
Não, já que a dor é decorrente de mudanças de pressão dentro do dente, provocadas pela variação da temperatura ou por outros estímulos na superfície. Não tem relação com alterações patológicas da polpa dental.
Então, por que o dente dói?
Em condições normais, a coroa do dente (a parte exposta na cavidade bucal) é recoberta pelo esmalte, estrutura resistente às pressões e ao desgaste decorrentes da mastigação (Figura 1). Essa estrutura é praticamente impermeável e definitivamente insensível aos estímulos. As raízes são recobertas por outro tipo de estrutura, denominada cemento. Com o passar do tempo, esmalte e cemento sofrem degradações (Figura 2) que expõem a dentina, estrutura também dura e resistente e que abriga a polpa dental. Dessas estruturas, somente a dentina apresenta sensibilidade. A dentina é bastante permeável, constituída de milhões de canais microscópicos (Figura 1) que, em teoria, ligam a polpa com meio externo quando o esmalte ou o cemento são desgastados. Sem o cemento e o esmalte, a dentina fica sem proteção e sujeita às agressões do meio externo.
Qual a relação da hipersensibilidade dentinária com as lesões cervicais não cariosas?
A hipersensibilidade dentinária ocorre mais comumente na região cervical do dente (colo), onde o esmalte e o cemento são degradados com maior freqüência, expondo a dentina. Quando essa exposição dentinária não é provocada por processo de cárie dental, a área exposta é considerada uma lesão cervical não cariosa (Figura 2). A prevalência dessas lesões é alta, e pode-se antecipar que, em algum momento da vida, qualquer indivíduo poderá ter, pelo menos, um dente com lesão cervical não cariosa.
Quais as causas mais comuns de lesões cervicais não cariosas?
Essas lesões são resultado de uma interação de fatores, em que os mais importantes são a oclusão (contato entre os dentes antagonistas), a alimentação rica em ácidos (frutas cítricas e refrigerantes em excesso, por exemplo) e a escovação dental. A oclusão promove a fadiga das estruturas dentárias na região do colo, as substâncias ácidas causam a dissolução do esmalte e a escovação remove mecanicamente o esmalte enfraquecido ou dissolvido. Fatores sistêmicos também podem contribuir para a degradação das estruturas dentárias, tais como refluxo gastroesofágico, bulimia, hipertireoidismo e qualquer outra doença que reduza o fluxo salivar.
Como tratar a hipersensibilidade dentinária?
O dentista deve empregar os recursos dessensibilizadores (o que pode incluir a restauração das lesões e ajustes oclusais) para reduzir o desconforto imediato da dor e, complementarmente, eliminar as causas da exposição dentinária para impedir a recorrência da hiperestesia.


Fonte: Orientando o Paciente da Associação Paulista de Cirurgiões Dentista

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Desmistificando o tratamento de canal

O que é o tratamento de canal?
Ele consiste na remoção da polpa dental, uma estrutura viva que contém, entre outros elementos, nervos e vasos sangüíneos.
Por que um dente necessita de tratamento de canal?
De modo geral, o tratamento é indicado em duas situações: 1) quando a polpa vital se apresenta inflamada, com dor espontânea (pulpite) em decorrência da exposição da dentina por cárie profunda, fratura da coroa, retração gengival etc; ou 2) quando a polpa perde a vitalidade (polpa necrosada) e compromete a estrutura que envolve a raiz, provocando inflamação da membrana periodontal e do osso de modo assintomático (granulomas e cistos) ou com dor (abscesso).
O dente que apresenta tratamento de canal é considerado um dente morto?
Não, pois embora o dente não contenha mais a estrutura vital no seu interior (a polpa), o dente é envolvido em toda a sua superfície externa por um ligamento vivo (membrana periodontal), permitindo que esse elemento dental continue a executar suas funções normais sem nenhum prejuízo.
O tratamento de canal enfraquece os dentes?
O que causa enfraquecimento do dente é a perda da estrutura dental causada geralmente pela cárie que, por sua vez, leva o dente a necessitar do tratamento de canal.
Quantas sessões são necessárias para realização do tratamento de canal?
Se o profissional tiver experiência e habilidade suficientes, pode realizar o tratamento de canal em apenas uma sessão, especialmente se o dente não estiver infectado (se não houver presença de bactérias no canal). Na presença de pus, hemorragia persistente, tumefação ou em retratamentos e casos especiais, os tratamentos de canal podem ser realizados em sessões múltiplas.
Por que algumas vezes é necessário realizar o retratamento do canal?
Quando o tratamento de canal anterior não foi bem executado por algum motivo (dificuldades anatômicas, raízes com curvaturas acentuadas, canais calcificados etc., ou quando o dente não foi devidamente restaurado, pode ocorrer a recontaminação do canal pelas bactérias presentes na saliva, levando à necessidade de retratamento.
O dente com canal tratado pode voltar a doer algum dia?
Sim. Mesmo que o tratamento de canal tenha sido bem executado, o dente pode voltar a doer se não receber restauração definitiva ou se ocorrer uma cárie profunda, permitindo a recontaminação do canal.


Figura 1 - A) molar inferior com polpa necrosada (PN) e infectada, com lesão óssea (setas). B) fotografia intrabucal mostrando tumefação (abscesso – setas). C) tratamento de canal (TC) realizado em julho de 1991. D) radiografia tirada após 10 meses, mostrando formação de osso no local onde havia a lesão.


Fonte: Revista da APCD; orientando o paciente.




segunda-feira, 13 de junho de 2011

Implantes Dentários


O que são implantes dentários?
Implantes dentários osseointegráveis são parafusos confeccionados em titânio puro que podem ser colocados dentro dos ossos maxilares, funcionando como fixação para diferentes tipos de próteses dentárias: de um único dente, de vários dentes, ou até mesmo de todos os dentes. Os pacientes costumam confundir implantes com próteses fixas; na realidade, implantes servem para substituir as raízes dos dentes, em situações de perda ou impossibilidade de aproveitamento destas.
Qualquer paciente pode receber implantes?
Praticamente todos os pacientes em bom estado geral (que não apresentem doenças de ordem médica) podem receber implantes dentários. Alguns fatores podem influenciar no sucesso do tratamento, como, por exemplo, o fumo e a diabetes, devendo ser avaliados previamente. O procedimento de implantação oral é um ato cirúrgico e uma adequada avaliação é necessária antes de qualquer cirurgia bucal.
Por que alguns pacientes precisam de enxertos ósseos?
A necessidade de enxertos ósseos é freqüente. Eles podem ser feitos em uma cirurgia prévia à implantação e, nesse caso, os implantes serão colocados após um período de cicatrização óssea de 6 a 12 meses. Quando possível, o enxerto é realizado na mesma cirurgia de colocação dos implantes.
É preciso realizar algum tratamento antes de colocar os implantes?
Em alguns casos sim. Deve-se eliminar qualquer processo infeccioso pré-existente na cavidade oral, ou seja, tratamento periodontal (gengival), extração de dentes com focos de infecção bem como tratamentos endodônticos (canais) devem ser realizados anteriormente à implantação. Todos esses aspectos fazem parte de um planejamento inicial realizado pelo profissional, que deve ser discutido abertamente com o paciente, antes do início do tratamento.
Dói muito para colocar os implantes?
Não. Obviamente trata-se de um procedimento cirúrgico e um certo edema (inchaço) é esperado, especialmente nos primeiros 5 dias pós-operatórios. O edema é tanto maior quanto maior o porte da cirurgia. Cirurgias de enxerto ósseo costumam provocar maior trauma. Entretanto, existem medicações específicas para o controle da inflamação pós-operatória, assim como antibió-ticos (remédios que combatem infecção) e analgésicos, que o cirurgião poderá prescrever em caso de necessidade.
Quanto tempo demora o tratamento?
Depende de cada caso. Após a colocação, os implantes permanecem em repouso por um período que varia de 2 a 6 meses, para que ocorra o fenômeno biológico da osseointegração (união direta do titânio ao osso), após o qual os implantes são descobertos e uma prótese dentária é conectada ao implante por meio de uma parte secundária denominada “abutment” ou pilar. Em casos que envolvem enxerto ósseo, o tratamento fica inevitavelmente mais longo. Em alguns casos específicos, a prótese pode ser instalada já no dia da cirurgia de implantação.
Existe perigo de rejeição?
Não. A taxa de sucesso dos implantes osseointegráveis é alta, havendo diversos estudos científicos comprovando sua eficácia, mesmo após muitos anos em função mastigatória. Existe, porém, uma possibilidade pequena de perda do implante (não ocorrência da osseointegração), em torno de 2 a 3% dos casos, normalmente logo após o período de repouso pós-implantação. Nesses casos o implante é removido facilmente, podendo um novo implante ser recolocado no local.
Como devo cuidar dos implantes após o tratamento? Podem existir complicações relacionadas aos implantes?
Os implantes, assim como os dentes e gengivas, têm de ser muito bem limpos, utilizando-se os dispositivos (fio dental e escova) recomendados pelo seu cirurgião-dentista.
A principal complicação biológica é a periimplantite (doença que acomete o osso e a gengiva ao redor do implante). Podem também ocorrer problemas relacionados a planejamentos de tratamento inadequados ou a implantes colocados em posições desfavoráveis. As complicações biomecânicas mais freqüentes são a fratura ou o afrouxamento dos pequenos parafusos que prendem as próteses. Fraturas de implantes podem ocorrer, embora sejam mais raras. O mais importante é o comparecimento regular do paciente às consultas de manutenção para prevenir ou diagnosticar precocemente qualquer alteração.
fonte: APCD; Orientando o paciente.